A imunoterapia revolucionou o tratamento de diversos tipos de câncer. Os chamados inibidores de checkpoint imunológico ajudam o sistema imunológico a reconhecer e combater as células tumorais.
Como consequência dessa ativação imunológica, porém, o sistema imunológico também pode atacar tecidos saudáveis. Embora as complicações cardiovasculares sejam incomuns, algumas delas podem ser graves.
Qual é a complicação cardíaca mais conhecida?
Uma das que mais merece atenção é a miocardite, uma inflamação do músculo cardíaco.
Ela é rara. Em um registro multicêntrico clássico publicado no Journal of the American College of Cardiology, a prevalência observada foi de aproximadamente 1%, com mediana de início de 34 dias após o começo da imunoterapia. É importante lembrar que esse número vem de um registro específico e não significa que o risco seja exatamente o mesmo para todos os medicamentos e pacientes.
Apesar de pouco frequente, a miocardite associada à imunoterapia merece atenção porque pode apresentar evolução grave.
Quais sintomas podem aparecer?
A apresentação é variável.
Podem ocorrer:
- dor no peito;
- falta de ar;
- palpitações;
- cansaço muito diferente do habitual;
- tontura ou desmaio.
Também podem ocorrer alterações elétricas do coração e arritmias.
Um ponto importante é que uma fração de ejeção normal no ecocardiograma não exclui miocardite.
Todo paciente em imunoterapia precisa fazer muitos exames cardíacos?
Não necessariamente.
A avaliação deve considerar o risco individual, o esquema utilizado, doenças cardiovasculares prévias e sintomas.
A diretriz europeia recomenda avaliação cardiovascular basal e estabelece estratégias de monitorização para pacientes em uso de inibidores de checkpoint imunológico, com atenção particular a indivíduos de maior risco.
E se houver suspeita de miocardite?
Dor torácica, falta de ar, palpitações ou outros sintomas novos durante imunoterapia não significam automaticamente miocardite. Existem muitas outras causas possíveis.
Mas, quando há suspeita, a investigação deve ser rápida.
Ela pode envolver eletrocardiograma, troponina, ecocardiograma, ressonância cardíaca e outros exames, conforme o caso.
A mensagem, portanto, não é ter medo da imunoterapia. É saber que essa complicação existe, embora seja incomum, e reconhecer situações que justificam avaliação precoce.
Referências