Terminei o tratamento do câncer. Preciso continuar acompanhando o coração?

Terminar o tratamento do câncer é um marco importante. Mas, para algumas pessoas, o cuidado cardiovascular não termina no último ciclo de quimioterapia.

Isso acontece porque determinados tratamentos oncológicos podem produzir efeitos cardiovasculares que surgem ou se tornam evidentes meses ou até anos depois.

Todo sobrevivente de câncer precisa fazer acompanhamento cardiológico para sempre?

O acompanhamento deve ser individualizado.

O risco depende de fatores como:

  • tratamento oncológico recebido;
  • dose acumulada de determinados medicamentos;
  • exposição do coração à radioterapia;
  • doença cardiovascular prévia;
  • alterações que tenham ocorrido durante o tratamento;
  • hipertensão, diabetes, colesterol, tabagismo e outros fatores de risco.

Por isso, duas pessoas que trataram o mesmo tipo de câncer podem ter necessidades cardiovasculares completamente diferentes.

Quais tratamentos merecem atenção especial?

Entre as exposições consideradas na avaliação de risco estão as antraciclinas, determinadas terapias-alvo e a radioterapia que envolveu uma região do tórax capaz de expor o coração.

Além da insuficiência cardíaca, alguns tratamentos podem estar associados, a longo prazo, a doença coronariana, alterações valvares, pericárdicas, vasculares ou arritmias.

O que acontece depois do tratamento?

Deve ser feita uma avaliação ao final do tratamento em pacientes expostos a terapias potencialmente cardiotóxicas. A partir dela, é possível definir quem precisa de vigilância cardiovascular a longo prazo e com qual frequência.

Para pacientes considerados de maior risco, o acompanhamento pode envolver avaliação clínica, pressão arterial, colesterol, glicemia, eletrocardiograma e, em situações selecionadas, exames de imagem e biomarcadores.

Cuidar dos fatores de risco também importa

Depois do câncer, controlar pressão, colesterol, diabetes, peso, tabagismo e sedentarismo continua sendo parte importante da prevenção cardiovascular.

Portanto, terminar o tratamento oncológico não significa necessariamente precisar de exames cardíacos indefinidamente.

Significa saber qual foi sua exposição, qual é seu risco atual e se existe indicação de acompanhamento específico.

A sobrevivência ao câncer aumentou — e cuidar da saúde cardiovascular faz parte do cuidado de longo prazo.

Referências

HAJJAR, Ludhmila Abrahão et al. Diretriz Brasileira de Cardio-Oncologia – 2020. Arquivos Brasileiros de Cardiologia, v. 115, n. 5, p. 1006-1043, 2020. DOI: 10.36660/abc.20201006.

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ARMENIAN, Saro H. et al. Prevention and monitoring of cardiac dysfunction in survivors of adult cancers: American Society of Clinical Oncology Clinical Practice Guideline. Journal of Clinical Oncology, v. 35, n. 8, p. 893-911, 2017. DOI: 10.1200/JCO.2016.70.5400.

Dra. Thaís Perlaky Cardiologista 
Cardio-oncologia CRM 202629 
RQE 115363

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