A pressão arterial pode mudar durante o tratamento do câncer — inclusive em pessoas que nunca tiveram hipertensão.
Isso não acontece apenas por ansiedade ou pelo estresse relacionado ao diagnóstico. Alguns tratamentos oncológicos podem elevar diretamente a pressão arterial.
Quais tratamentos podem aumentar a pressão?
Esse efeito é particularmente conhecido com medicamentos que interferem na via do VEGF, envolvida na formação e no funcionamento dos vasos sanguíneos.
Nesse grupo estão medicamentos como bevacizumabe e diferentes inibidores de tirosina-quinase.
Outras terapias também podem favorecer hipertensão, incluindo determinados inibidores de proteassoma, medicamentos hormonais e alguns inibidores de tirosina-quinase. Corticoides e anti-inflamatórios utilizados durante o tratamento também podem contribuir.
Por que isso acontece?
Os mecanismos variam conforme o medicamento.
No caso dos inibidores da via do VEGF, há alteração de mecanismos responsáveis pela regulação do tônus dos vasos sanguíneos, incluindo redução da disponibilidade de óxido nítrico e aumento da resistência vascular.
Em alguns pacientes, a pressão pode subir rapidamente, inclusive nos primeiros dias após o início do tratamento.
Pressão alta significa que o tratamento precisa ser suspenso?
Na maioria das vezes, não.
A hipertensão relacionada ao tratamento oncológico frequentemente pode ser controlada com ajuste dos hábitos, acompanhamento da pressão e medicamentos anti-hipertensivos.
O objetivo é controlar a pressão adequadamente para reduzir o risco cardiovascular e permitir, sempre que possível, a continuidade do tratamento contra o câncer.
Em casos de elevação muito importante da pressão ou de emergência hipertensiva, entretanto, pode ser necessário interromper temporariamente determinado medicamento e reavaliar a estratégia junto à oncologia.
Vale a pena medir a pressão em casa?
Em determinados casos, sim.
A monitorização domiciliar pode identificar alterações que não seriam percebidas apenas nas consultas.
Por isso, se a pressão começou a subir durante o tratamento do câncer, não é interessante simplesmente atribuí-la ao estresse. Pode haver uma relação com a terapia utilizada — e, na maioria das vezes, existe uma estratégia para controlá-la.
Referências